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Boletim
50+
15/05/2006

15/05/2006 - 09h28
Príncipe
Charles admite fama de "mala"
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da France
Presse, em Londres
Em uma de suas poucas entrevistas à TV, programada para ir ao ar nesta
segunda-feira no Reino Unido, o príncipe Charles reconhece que às vezes
passa por "mala", mas garante que, apesar das críticas, continuará dando
seus palpites nos assuntos da sociedade.
"Acho que seria uma negligência criminosa andar por este país sem tentar
fazer algo com o que vejo. Acho que tenho o dever de fazê-lo. Se isso não
agrada a certas pessoas, sinto muito, porque há coisas mais importantes com
que me preocupar: este país", explica na ITV.
Ao ser interrogado sobre o fato de que, às vezes, o consideram um "mala", o
herdeiro da Coroa britânica responde: "sim, provavelmente".
"Não se pode ganhar todas, porque se você não faz nada, vão reclamar, mas se
você tenta fazer algo, também vão reclamar", avalia o príncipe,
freqüentemente criticado por suas declarações públicas e intervenções com
ministros.
O programa é dedicado à Prince's Trust, fundação criada por ele em 1976 para
ajudar os jovens com dificuldades em criar empresas.
"O
Código da Vinci" abre Cannes nesta quarta-feira
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da Ansa,
em Cannes
"O Código da Vinci" abrirá em 17 de maio o 59º Festival de Cinema de Cannes,
onde três cineastas latino-americanos --o argentino Israel Adrián Caetano e
os mexicanos Alejandro Gonzáles Iñarritu e Guillermo del Toro-- disputarão
com os maiores diretores do cinema mundial a Palma de Ouro de melhor filme.
Pedro Almodóvar, Ken Loach, Aki kaurismaki, Sofia Coppola, Richard Linklater,
Nanni Moretti, Nicelo Garcia, Bruno Dumont, são alguns dos grandes cineastas
com os quais disputam os diretores da América Latina, nunca presentes nesta
quantidade na manifestação francesa.
Mas os refletores estão todos apontados para o "Código da Vinci", sobre o
diretor Ron Howard e os protagonistas Tom Hanks, Audrey Tautou e Jean Reno.
Também gera expectativas a reação dos representantes católicos mais
intransigentes, que poderiam desencadear manifestações de protestos em toda
a Croisette, a avenida costeira na qual estão o palácio do festival e os
principais hotéis da cidade.
Nova geração
O jurado Thierry Frémaux aponta no concurso a geração emergente representada
pelos três latino-americanos, mais Coppola, Linklater, Paolo Sorrentino
entre outros.
Caetano, Gonzáles Iñarritu e Del Toro já estiveram antes em Cannes, onde os
dois mexicanos conquistaram prêmios da Semana da Crítica, mas esta é a
primeira vez que subiram a competição oficial.
Caetano com "Crónica de uma fuga" narra a fuga de quatro presos de um
presídio clandestino em 1977, Gonzáles Iñarritu em "Babel apresenta a
história de um tiro que afeta a vida de várias pessoas em quatro cantos do
mundo, e Del Toro em "El laberinto del fauno", mistura história e fantasia.
Nos EUA,
mãe descobre paradeiro da filha 30 anos após seqüestro
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da Efe,
em Washington
No final de semana do Dia das Mães, uma mulher norte-americana que teve a
filha seqüestrada pelo ex-marido soube do paradeiro dela, agora com 31 anos.
A garota tinha 21 meses quando desapareceu.
Segundo o jornal "The Detroit News", um policial compareceu sábado à casa de
Laura Gooder, 53, na cidade de Frederic, no estado de Michigan, para
comunicar-lhe que sua filha, Genievieve Rachel Nielsen, vivia no Arizona.
Gooder não tinha notícias dela desde o fim de semana do Dia das Mães de
1976, quando seu ex-marido pegou a menina e nunca retornou. A mãe se casou
novamente e tem outros três filhos.
A filha desaparecida de Gooder cresceu com outro nome e com a convicção de
que sua mãe tinha morrido em um acidente de trânsito. Segundo fontes
policiais, o próprio seqüestrador lhes forneceu a informação que permitiu
localizar a jovem.
Café
pode passar de vilão a mocinho, apontam estudos
IARA BIDERMAN
Colaboração para a Folha de S.Paulo
TATIANA DINIZ
da Folha de S.Paulo
Por muito tempo, o café encenava melhor o papel de vilão: provocava
agitação, dependência e fazia mal para o estômago. Definitivamente, não era
indicado para a saúde do coração. Hoje, a probabilidade é que ele passe de
bandido a mocinho. Reduzir o colesterol, evitar doenças coronarianas,
proporcionar efeitos antidepressivos e até mesmo ajudar a emagrecer são
alguns dos pontos a favor que a bebida vem ganhando e que se tornaram objeto
de pesquisas conduzidas em diversos países.
A aposta nos aspectos saudáveis é tanta que o Brasil vai ganhar, em breve,
um centro de estudos que concentrará esforços na investigação dos prováveis
efeitos benéficos do café. A Fundação Zerbini, do Hospital das Clínicas de
São Paulo, a partir de um protocolo de intenções assinado com a Abic
(Associação Brasileira da Indústria de Café), prepara-se para criar a
Unidade de Pesquisa Café-Coração do Incor (Instituto do Coração do Hospital
das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).
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Eduardo Knapp/FI |
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Estudos
mostram possíveis benefícios da bebida |
Ontem, foi
assinado o contrato de cooperação técnica e financeira com a Embrapa
(Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias), que "viabilizará o
desenvolvimento das pesquisas", segundo Gabriel Bartholo, gerente-geral da
Embrapa Café. A previsão é que, ainda no decorrer deste ano, os estudos da
unidade já estejam em andamento.
Tamanho interesse é o resultado do cruzamento de duas coordenadas: a
científica e a econômica. A primeira diz respeito a pesquisas populacionais
e laboratoriais, realizadas nas últimas décadas, que apontam uma série de
benefícios à saúde relacionados ao consumo regular de café.
"Estudos indicam que substâncias presentes no café podem prevenir demências
e mal de Alzheimer. Seus compostos antioxidantes protegem do diabetes. E o
consumo moderado regular inibe o alcoolismo e a depressão", afirma Darcy
Roberto Lima, doutor em medicina pela Universidade de Londres e professor do
Instituto de Neurologia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
Coração
Chegar a conclusões efetivas sobre a capacidade de o café proteger o coração
parece ser o principal desafio dos pesquisadores atualmente. Para Luiz
Antonio Machado César, coordenador da Unidade Café-Coração do Incor, "hoje,
não há motivos para dizer [ao paciente] que pare de tomar café, e há motivos
para dizer que [o consumo] pode fazer bem".
Esses motivos são sustentados pelos novos estudos na área. Investiga-se, por
exemplo, como o café interfere na taxa de colesterol. Rosana Perim, gerente
de nutrição do HCor (Hospital do Coração) da Associação Sanatório Sírio,
estudou as diferentes formas de preparo e concluiu que o café filtrado ou
coado não altera os níveis de colesterol no sangue, mas, em processos de
preparo sem filtragem, há um discreto aumento. Ainda segundo ela, o consumo
moderado de café diminui a oxidação do LDL (colesterol "ruim"), que causa
inflamação nas artérias, desencadeando a doença coronariana.
Esse efeito está ligado aos compostos antioxidantes do café. Estudos
conduzidos atualmente na UnB (Universidade de Brasília) concentram-se na
análise do AC (ácido caféico). "Em nossos estudos, verificamos que o AC é
capaz de atuar eficientemente como antioxidante", diz Angelo de Queiroz
Mauricio, mestrando do Instituto de Química da UnB e integrante do grupo de
pesquisas em radicais de oxigênio.
O ex-presidente da Federação Mundial de Cardiologia, Mario Maranhão, vê com
entusiasmo as pesquisas sobre as potencialidades do café. Ele aposta "na
perspectiva de o café indiretamente reduzir a chance de infarto do
miocárdio", baseado em pesquisas que mostram um efeito antidepressivo na
bebida. "A depressão aumenta em até quatro vezes a possibilidade de infarto
e, ao cabo de um ano, aumenta em cinco vezes a chance de um novo episódio.
Ao combatê-la, melhoramos as condições de saúde cardiovascular".
Depressão
O efeito antidepressivo do café foi apontado em uma grande pesquisa
populacional realizada nos EUA, conhecida como "pesquisa das enfermeiras",
por ser essa a ocupação da população observada. Os dados mostraram uma menor
incidência de depressão profunda e de suicídio entre aquelas que eram
consumidoras habituais da bebida.
No Brasil, uma pesquisa realizada entre 1987 e 1998, envolvendo mais de 100
mil estudantes de dez a 18 anos, também verificou uma relação inversa entre
o consumo de café e a depressão. Coordenada por Darcy Lima, da UFRJ, e com o
apoio do Instituto de Estudos do Café da Universidade Vanderbilt, de
Nashville (EUA), os dados preliminares da pesquisa também mostram uma menor
incidência de alcoolismo entre as crianças e os adolescentes que tomam
aproximadamente três xícaras de café por dia.
Porém, as conclusões desses trabalhos ainda não são consenso entre os
médicos. Ricardo Moreno, presidente do departamento de psiquiatria da
Faculdade de Medicina da USP, não recomenda café nos casos de depressão.
A polêmica da cafeína
"A cafeína é uma substância estimulante do sistema nervoso central. Nos
quadros de depressão, todas as substâncias estimulantes são contra-indicadas
porque alteram o humor das pessoas", explica Moreno. Segundo ele, algumas
pessoas desfrutam de uma sensação de bem-estar logo após ingerir uma xícara
de café, mas isso não deve ser confundido com um efeito antidepressivo. "No
longo e no médio prazos, inclusive, o consumo contínuo pode acentuar o
estado depressivo na ausência da substância", completa.
Para Darcy Lima, a questão não se resume à cafeína. Ele acredita que, embora
a substância também possa ter relação com o efeito antidepressivo e inibidor
do alcoolismo, os principais agentes são os antagonistas de opiáceos
derivados dos ácidos clorogênicos presentes no café.
Mas a crença comum é que café é mesmo sinônimo de cafeína --substância
psicoestimulante que pode causar, além de dependência, sintomas como
irritabilidade, nervosismo e insônia.
Sim, pode, mas os defensores do café batem em duas teclas: a cafeína
corresponde a apenas 1% a 2,5% da composição do café; e esses efeitos
indesejáveis só ocorrem quando o consumo é excessivo. Atualmente, a
quantidade recomendada é de uma a duas xícaras diárias para quem tem menos
que dez anos e mais que 60 anos e de três a quatro xícaras para a faixa
etária restante, segundo Lima.
(Textos
transcritos da Folha On Line de 15/5/2006)
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