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recita cordéis na 50 Plus O escritor e artista plástico Guilherme de Faria está na 50 Plus recitando cordéis de sua autoria e poemas de Alma Welt, sua musa e escritora gaúcha. Guilherme de Faria é artista plástico profissional desde 1962 e já realizou centenas de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Muitas de suas obras fazem parte de coleções particulares ou estão em alguns museus brasileiros importantes como o MAM, o Masp e o Museu de Arte Brasileira da FAAP. Desde de 2001, porém, Guilherme resolveu também dedicar-se à literatura, especialmente à de cordel e já produziu cinco livros de contos, um romance, 60 livros de poemas de cordel, 40 livros de poemas líricos, entre eles 18 de sonetos, um livro de lendas, e outro de estórias sertanejas em prosa, que ele chamou de “Contos do Sertão”, todos inéditos. O autor é paulistano, dos Jardins, e a facilidade e fluência com que domina os cordéis é algo realmente surpreendente e até mesmo intrigante. Ele atribui esse talento ao que chama de “surto” tardio de inspiração sertaneja, despertado durante uma expedição de sete dias que fez em 1970 pelo sertão de Pernambuco e Paraíba. A própria forma como acondiciona seus cordéis é original: eles vêm dispostos numa caixa de madeira, com título, rótulo e ilustração na capa e com fecho de cadarço de couro, numa simpática referência aos gibões dos vaqueiros. O “kit cordel”, como ele mesmo o chama, vem fazendo enorme sucesso entre os apreciadores desse tipo de literatura e tem despertado o interesse dos que ainda não conheciam essa arte. A sua coleção de cordéis pode ser encontrada no espaço 50 Plus (al. Tietê, 43, loja 1. Tel 3064-6942). Guilherme de Faria tem se apresentado em recitais vestido a caráter, com chapéu de couro, e impressiona pela forma e o sotaque com que encarna o típico cordelista nordestino.
A sua mais recente descoberta é também sua musa inspiradora: Alma Welt, escritora e poetisa gaúcha, que acaba de lançar o livro “Contos da Alma”, com prefácio do próprio Guilherme. Alma é o que ele chama de “a última grande lírica do século XX” e se destaca pela forma delicada e sensível com que narra histórias do cotidiano. A figura da escritora é cercada de mistério: ela não se deixa fotografar e apenas permite que Guilherme a retrate em telas a óleo. O trabalho dos dois pode ser conhecido no espaço 50 Plus, com quem Guilherme tem projetos e parcerias, ou nos sites: www.guilhermedefaria.com.br, www.almawelt.com.br e www.50plus.com.br. A 50 Plus fica na alameda Tietê, 43, loja 1, Jardins. Tel.: 3064-6942.
“Gestos de amor” Não poderia ter outro nome este livro que a jornalista Daisy Fonseca Rebello – viúva do conhecido “homem do gol” da Bandeirantes --, que acaba de completar 80 anos, lançou. Gestos de Amor – Histórias Verdadeiras -- reúne contos de uma simplicidade comovente e como diz a professora e advogada Maria Cláudia Gallon no prefácio é como estar no colo de nossa mãe, de nossa avó ou no colo de nossa melhor amiga. Daisy recorre a sua sensibilidade inata para relatar fatos de sua vida pessoal e de sua experiência como radiatriz, produtora de TV e jornalista nas emissoras Record, Bandeirantes, Tupi e Rádios Difusora, Piratininga, Excelsior e Jovem Pan -- estas últimas, onde Daisy idealizou e redigiu durante cinco anos um programa diário apresentado por Hebe Camargo -- dos anos 40 aos 80. Para quem vivenciou essa época e para os jovens que querem conhecer mais sobre a fase de ouro das emissoras de radio e o começo da televisão no Brasil, Gestos de Amor é uma leitura importante porque traduz a ótica de quem soube captar com extrema sensibilidade e sabedoria cenas simples do cotidiano. Daisy tem dado palestras sobre sua experiência no rádio e na televisão – participou de eventos, no Sesc, na Faculdade de Belas Artes, na Casa das Rosas. Seu livro pode ser encontrado na 50 Plus, alameda Tietê, 43, loja 1 (tel.: 3064-6942), site www.50plus.com.br ; www.daisyfrebello.com.br . Contatos com Celia Bensadon (celia@50plus.com.br ), tel.: 3064-6942.
Homens e Velhinhas, Tigres e Sardinhas
O livro é uma coletânea de contos e crônicas de cunho humorístico, reflexivo, realista ou de ficção. O estilo é direto, claro e breve , para não cansar o leitor. Hans Freudenthal nasceu na Alemanha num Dia do Trabalho. Fez todo o curso primário ainda em Berlim, mas a crescente intolerância e perseguição do governo de Hitler acabou atingindo a sua família e em 1939, aos 11 anos de idade, teve que deixar o país com o pai, o irmão e a roupa do corpo. Chegou a São Paulo, estudou no Colégio Mackenzie e se formou em Odontologia pela USP. E, após especializar-se em Odontopediatria nos Estados unidos, voltou a São Paulo, onde praticou a sua especialidade durante 46 anos, tendo atendido mais de 5.100 pacientes. Casou-se, teve um filho, Daniel. Agora aposentado freqüenta o Clube Paulistano, onde pratica diversas atividades, uma delas as Oficinas Literárias. Hans sempre gostou de escrever. De 1959 a 1975 publicou um noticiário sobre a odontologia brasileira no jornal da associação norte-americana dos dentistas. Ainda em língua inglesa concluiu um curso de dramaturgia por correspondência pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Sua atividade literária se intensificou a partir de meados dos anos 1990. Freqüentando a escola Costa Braga, da terceira idade e, depois, a Music Center, foi encorajado a escrever pela professora Lavínia Limp. Ela publicou as obras de seus alunos em vários livros anuais. Depois, Hans teve o incentivo da escritora Jeanette B. Rozcavolgui e do Departamento Cultural do Paulistano e das Oficinas Literárias com escritores de renome. Vários contos de Hans foram premiados em concursos de seu clube e da Acesc (o clube dos clubes, englobando os vinte mais importantes de São Paulo), inclusive neste ano, e que constam deste livro. Hans começou a escrever a partir dos 65 anos de idade – até os 11 anos ele não falava uma palavra em português --, após exercer a Odontopediatria por 46 anos ininterruptos. A proposta do autor é distrair o leitor, “lavar a alma, desopilar o fígado, aquecer o coração”. Hans já prepara outro livro, que será lançado nos próximos meses. Além do Clube Paulistano, Hans é freqüentador assíduo do espaço 50 Plus, onde joga xadrez e participa de eventos.
Guilherme de Faria cordel ROMANCE DO FURDUNÇO (cordel de Guilherme de Faria) 1 Amores, sonho, virtude São coisas que eu nunca pude Realizar com clareza, Me desculpem a afoiteza
2 De logo ir contando assim Os podres da minha vida Que não foi nem escolhida Nem tão falhada, enfim. 3 Mas eis um sonho que eu pude Realizar em plenitude: Fazer um cordel fecundo, Contando as coisas do mundo. 4 “ O poeta- disse Keats- Não deve ser moralista”. E nisso estamos quites: Bom poeta é anarquista. 5 Quer dizer, não temos rei Nem governo imperialista; Democracia terei No “dia do cordelista”. 6 E agora dito isso Vou contar um causo estranho, Deixa eu enxugar o ranho Que já começo o serviço. 7 Pois bem, havia um jagunço Na minha terra de outrora Que gostava de furdunço Desde que fora de hora. 8 Entrando um dia na igreja Convidou a freguesia Pr’uma festa que daria Sem admitir peleja. 9 Alertou todos a irem, Mas que fossem desarmados Que era pra todos rirem, Festejarem sem cuidados. 10 O povo ressabiado Quis ao menos levar facas. Disse o jagunço engraçado: “Só pra quem levar sua maca”. 11 Nos marcados hora e dia Começou chegando o povo; A sanfona já rangia, Na zabumba “mestre Corvo”, 13 Um músico com essa alcunha, Com fama de aziago, Pois o cargo ficou vago Quando matou mestre Cunha. 14 O triângulo, de bermudas,
Tocava feito um
demônio: Tocando pra Santo Antônio. 15 Havia também uma flauta Do osso de uma canela, Mas não de pau-de-canela Mas da canela do Malta, 16 Um antigo delegado Que morreu estraçalhado Pela jagunçada amiga De um furdunço sem intriga. 17 Então lá pras tantas horas, O forró correndo solto, Pinga e licor de amoras, Só tendo morrido o Couto 18 E talvez o velho Pacheco Que já estava meio seco E já foi embora tarde (pimenta no outro não arde) 19 E mais dois ou três, se tanto, Pois que estando desarmado O povo jogava pr’um canto E persistia animado. 20 To contando esse caso Em louvor da nossa gente, Que sempre faz muito caso De ser de paz e decente. 21 No fim da festa, surpresa! Foi colocado na mesa Um bolo imenso, branquinho, Doce como chantilinho, 22 De onde saiu um jagunço De rifle armado e pistola E começou o furdunço Verdadeiro, sem esmola. 23 Foi bala pra todo lado! Tinha bala pra criança Tinha bala com melado, De festim e de festança. 24 Só ficou vivo ninguém, E se afirmo o que disse É que meu nome é “Ninguém”, Como o companheiro Ulisse. 25 Para contar a estória Precisava um morto-vivo E eu sem contar não vivo, Essa é a minha glória. 26 Agora que já contei, Passem logo a “mãe da besta”, Saberão se não inventei, Se eu lembrar depois da festa. FIM topo
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